Em ano de eleição e Copa do Mundo, o Congresso Nacional iniciou os trabalhos de 2026 nesta segunda-feira com a apresentação das pautas prioritárias a serem analisadas e possivelmente votadas. Dois projetos econômicos do governo são de interesse estratégico da área econômica para o Brasil, mas em especial para Santa Catarina: a aprovação do acordo Mercosul e União Europeia e o projeto que acaba com a jornada de trabalho 6X1 no país.

O projeto do acordo Mercosul-UE deve ser votado em breve como informou o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). O governo brasileiro tem pressa porque, depois de sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicado, já poderá permitir negócios. Isso porque a União Europeia vai aprovar provisoriamente o acordo assim que um país do Mercosul ratificá-lo, mesmo tendo que aguardar a avaliação encomendada pelo parlamento europeu. Esse é o projeto que anima o setor econômico.

Mas o projeto do fim da jornada de trabalho 6×1, de 44 horas semanas para 36 horas semanais, se aprovado, vai aliviar a carga horária de trabalhadores que têm esses contratos, mas causar custos maiores para as empresas.

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Entre os setores mais preocupados com essa possível mudança estão a indústria e o comércio. As grandes agroindústrias catarinenses, por exemplo, fizeram cálculos e concluíram que terão acréscimos de custos bilionários. Se a mudança for aprovada, ou transferem o custo para os preços ou reduzem a produção. Nos dois casos, as carnes podem ficar mais caras no Brasil e no mundo porque o país é o maior exportador global de proteína animal.  

No caso do comércio, que é atendimento ao público, o impacto também será relevante caso seja mudada a lei. Um levantamento feito pela VR, uma plataforma de serviços, apurou que 51% das empresas que usam a escala 6X1 são do comércio.O projeto é da deputada Érica Hilton (PSOL-SP) e já está tramitando no Congresso. Para o setor produtivo, esse é um tema delicado, que pode afetar produtividade e custo das empresas e, por isso, deveria ser discutido com mais calma, pesando prós e contras, num ano que não seja eleitoral.

FONTE/CRÉDITOS: NSC